sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

As agressões contra refugiados da Venezuela

O Brasil tem obrigação moral, como país cristão, de receber e ajudar os refugiados venezuelanos. Os venezuelanos não esquecem que o governo brasileiro, cuja política latino-americana foi incompetente e primária e ajudou os governos de Chávez e Maduro. Foram governos eleitos, que comprometeram todos nós brasileiros com uma política errada. Eu tenho contraparentes venezuelanos, todos vivendo fora da Venezuela, que têm um justificado ressentimento com o Brasil que apoiou governos que, todos sabiam, eram incompetentes e antidemocráticos. Acham, com razão, que todos nós temos responsabilidade moral pelo apoio dado a governos corruptos em nome do Brasil. Os que maltrataram os refugiados venezuelanos se comportaram pior do que os arianistas americanos que rejeitam imigrantes não-brancos, inclusive nós.

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

refugiados,refugiados venezuelanos,Agressão é crime,apoio a governos corruptos em nome do Brasil

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Bons resultados com a enzalutamida


Uma equipe internacional analisou as vantagens em usar enzalutamida quando o tratamento hormonal não produz mais os efeitos desejados e o câncer começa a avançar. Esse medicamento só é usado legalmente nos Estados Unidos quando, além de indicação de que a terapia hormonal começou a falhar (ex.: crescimento rápido do PSA) e há indícios de metástase. Esses indícios são em parte um sofisma legal e metodológico nos casos em que houve prostatectomia porque o crescimento do PSA normalmente resulta da proliferação de células cancerosas em algum lugar do corpo (sem esquecer que esse corpo já não tem próstata). Não obstante, a detecção é, em boa parte, dependente do avanço da tecnologia. Há duas décadas, a metástase não teria que ser tão avançada quanto hoje para ser detectada. micro metástases serão corriqueiramente detectáveis em mais algum tempo. Essa questão me interessa particularmente porque agora talvez seja uma questão de pouco tempo até que a terapia hormonal perca seu poder. Quando as metástases acontecem, medicamentos como abiraterona e enzalutamida podem ser usadas, quando ainda não, não podem legalmente ser usadas nos Estados Unidos, ainda que haja dados que mostram que o uso enquanto não há metástase detectável tem muitos benefícios.

Quando ler artigos na área e encontrar a expressão “endpoints” saiba que estão tratando de objetivos. O tempo que o paciente passa até que apareça uma metástase é chamado de MFS (metastasis free survival). É uma mediana o tempo que leva até que metade dos pacientes tenha metástase e metade não. Sem enzalutamida, esse período é de 14,7 meses; com enzalutamida, leva mais tempo para chegar até a mediana que é de 36,6 meses. Uma diferença de 21,9 meses.[i] Aperte o botão Controle e, ao mesmo tempo, clique encima do endereço abaixo para ver os gráficos.

https://infogram.com/revisando-o-efeito-da-enzalutamida-1hke600081m065r

Lembrem que isso é até a primeira metástase detectável.

O tempo até o PSA voltara a crescer é outro objetivo. Quanto mais tempo, melhor. Sem tratamento, na mediana o PSA cresce em menos de quatro meses. Com enzalutamida é muito mais: 37,2 meses, mais de três anos [P< 0,0001].

São excelentes resultados, mas há efeitos colaterais e alguns deles fazem com que os pacientes desistam do tratamento.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

[i] A diferença é significativa no nível de P< 0.0001.

enzalutamida,terapia hormonal,metástase,metástase do câncer da próstata,metástase e morte,PSA,PSA e sobrevivência

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Bons resultados com a enzalutamida


Uma equipe internacional analisou as vantagens em usar enzalutamida quando o tratamento hormonal não produz mais os efeitos desejados e o câncer começa a avançar. Esse medicamento só é usado legalmente nos Estados Unidos quando, além de indicação de que a terapia hormonal começou a falhar (ex.: crescimento rápido do PSA) e há indícios de metástase. Esses indícios são em parte um sofisma legal e metodológico nos casos em que houve prostatectomia porque o crescimento do PSA normalmente resulta da proliferação de células cancerosas em algum lugar do corpo (sem esquecer que esse corpo já não tem próstata). Não obstante, a detecção é, em boa parte, dependente do avanço da tecnologia. Há duas décadas, a metástase não teria que ser tão avançada quanto hoje para ser detectada. micro metástases serão corriqueiramente detectáveis em mais algum tempo. Essa questão me interessa particularmente porque agora talvez seja uma questão de pouco tempo até que a terapia hormonal perca seu poder. Quando as metástases acontecem, medicamentos como abiraterona e enzalutamida podem ser usadas, quando ainda não, não podem legalmente ser usadas nos Estados Unidos, ainda que haja dados que mostram que o uso enquanto não há metástase detectável tem muitos benefícios.

Quando ler artigos na área e encontrar a expressão “endpoints” saiba que estão tratando de objetivos. O tempo que o paciente passa até que apareça uma metástase é chamado de MFS (metastasis free survival). É uma mediana o tempo que leva até que metade dos pacientes tenha metástase e metade não. Sem enzalutamida, esse período é de 14,7 meses; com enzalutamida, leva mais tempo para chegar até a mediana que é de 36,6 meses. Uma diferença de 21,9 meses.[i]

Lembrem que isso é até a primeira metástase detectável.

O tempo até o PSA voltara a crescer é outro objetivo. Quanto mais tempo, melhor. Sem tratamento, na mediana o PSA cresce em menos de quatro meses. Com enzalutamida é muito mais: 37,2 meses, mais de três anos [P< 0,0001].

São excelentes resultados, mas há efeitos colaterais e alguns deles fazem com que os pacientes desistam do tratamento.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

[i] A diferença é significativa no nível de P< 0.0001.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A religião e o bem-estar de pacientes com doenças graves

Essa é mais uma nota sobre as funções e disfunções de vários conceitos associados com a religião para o bem-estar de pacientes com doenças graves.

Há quase consenso de que a religião, a religiosidade e a espiritualidade “ajudam” a lidar com doenças, particularmente as graves ou as em fase terminal. Koenig, George e Titus estudaram pacientes idosos. A pesquisa é simples: uma enfermeira, treinada para participar da pesquisa, entrevistou 838 pacientes na medida em que eram internados numa instituição médica. [i]

A despeito da dificuldade no desenho da pesquisa, foi aplicado um questionário muito rico na mensuração da religiosidade e conceitos associados – o “bundle” sobre religião. Incluía escalas para medir a participação religiosa, tanto na organização quanto fora dela, a religiosidade “intrínseca”, a religiosidade, avaliada pelo idoso e também por observadores, medidas de espiritualidade (auto avaliada e também avaliada por observadores, e as experiências espirituais do dia a dia. O contexto psicológico e social também foi estudado: sintomas de depressão, o funcionamento cognitivo, o apoio social, a disposição em cooperar, e a saúde física (sempre obedecendo às duas avaliações, externa e do próprio paciente. As tradicionais variáveis sócio demográficas (idade, sexo, raça e educação) também foram incluídas.

O que descobriram?

A religiosidade e a espiritualidade se correlacionavam com maior apoio social, menos sintomas de depressão, as funções cognitivas funcionam melhor e houve menos obstáculos à cooperação com pessoas e grupos.[ii]

Havia, também, relações com a saúde física, mas menos intima do que com a saúde mental.

Evidente, evidencias como essas mostram a utilidade de estimular as funções religiosas e espirituais que os pacientes porventura tiverem como um importante reforço para as terapias convencionais.

[i] Religion, spirituality, and health in medically ill hospitalized older patients, J Am Geriatr Soc. 2004 Apr;52(4):554-62.

[ii] As relações foram estatisticamente significativas, umas no nível de P<.01 e outras no nível de P<.0001.


GLÁUCIO SOARES               IESP-UERJ


religião e câncer,religião e saúde,Religiosidade,religiosidade e suicídio,religiosidade e bem-estar