A depressão é comum entre pacientes terminais, com pouco tempo de vida. Nesse grupo de pessoas, há muita tristeza, muita desesperança. Nesse grupo, ter ou não ter uma vida espiritual e ter ou não ter uma religião fazem muita diferença. Uma pesquisa, publicada há quinze anos, analisou os efeitos da religião e da espiritualidade sobre pacientes terminais.[i] Eram 162 pacientes com câncer e/ou AIDS, com uma esperança de vida de menos de seis meses. Os pesquisadores usaram medidas padronizadas de alguns conceitos, inclusive a Hamilton Depression Rating Scale (HDRS), que é muito usada nos estudos quantitativos sobre a depressão.
A associação mais intima que encontraram foi entre a espiritualidade[ii] e a depressão: a mais espiritualidade, menos depressão. A espiritualidade alivia muitas pessoas com doenças terminais, no fim da vida delas.
E qual o papel da religião? O impacto da religião sobre a depressão se faz, segundo os autores dessa pesquisa, através da espiritualidade. A equação passa a ter três termos: ter uma religião aumenta a espiritualidade, que reduz a depressão.
Gláucio Soares IESP/UERJ
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[i] Christian J. Nelson, Barry Rosenfeld, William Breitbart e Michele Galietta, Spirituality, Religion, and Depression in the Terminally Ill, Psychosomatics, Volume 43, Issue 3, May–June 2002, Páginas 213-220.
https://doi.org/10.1176/appi.psy.43.3.213
[ii] Foi usada a FACIT Spiritual Well-Being Scale.